Servidora do CRAS é acusada de abandonar cidadão em rodoviária de Jundiaí

Cícero e a irmã Eronildes Novais

O morador de rua Cícero Novais Teixeira, de Barra de São Francisco/ES, está desde dois de abril último desaparecido na cidade de Jundiaí/SP, depois de ser deixado na Estação Rodoviária daquela cidade por uma servidora do CRAS (Centro de Referência e Assistência Social) francisquense.

A denúncia é de Eronildes Rodrigues Novais, irmã de Cícero, que já procurou auxílio na delegacia da cidade, mas ainda não há nenhuma informação do seu paradeiro. Para Eronildes, “a servidora foi muito irresponsável ao deixar uma pessoa naquela situação sozinha em local desconhecido”.

Cicero antes de embarcar
Segundo ela o combinado era a família ser avisada da chegada de Cícero para busca-lo na rodoviária. “Só que trouxeram o Cícero sem nos avisar e o deixaram próximo à rodoviária. Ele não conhece nada aqui e nem tem condições mentais de se virar sozinho”, disse a irmã de Cícero.

A família está preocupada com o que pode ter acontecido com Cícero, que é alcoólatra e não tem condições mínimas de administrar a própria vida. “Estamos aflitos. Já distribuímos panfletos pela cidade com a foto dele e nada. Nenhuma notícia”, comenta a sobrinha do desaparecido.

“Entramos em contato com o CRAS, mas a pessoa a quem fomos encaminhados disse que ele é maior de idade e sabe muito bem como se virar. Mas isso não é verdade. Meu irmão é alcoólatra e não tem a mínima noção do que faz e nem de onde se encontra”, reclama a irmã de Cícero.

Desesperada, Eronildes cobra do prefeito Alencar Marim (PT) uma providência no sentido de auxiliar na localização de seu irmão, bem como providências contra a servidora pela irresponsabilidade e negligência com a qual agiu. Ela disse, ainda, que estuda medidas judiciais contra o Município.

Quem é Cícero

Cícero Novais Teixeira é um morador de rua muito conhecido por quem circula pelo centro da cidade, que em 2009 foi preso sob acusação de ter assassinado uma mulher numa construção da Rua Elizeu Divino, em frente ao antigo Bar do Tonico. Por isso ficou preso durante 15 meses.

Cícero chegando a Mantena
para pegar o ônibus
Apesar de na época Cícero, que foi preso com mais dois amigos, ter afirmado que na hora do crime estava na feira ajudando a montar as barracas, a polícia não lhe deu ouvidos e encerrou o inquérito sem sequer checar se o álibi apresentado era ou não verdadeiro.

Em decorrência dessa irresponsabilidade do delegado que presidiu o inquérito e deu crédito ao testemunho de uma pessoa alcoólatra, Cícero e os amigos permaneceram presos por 15 meses e só foram liberados, porque o verdadeiro criminoso confessou o crime ao ser preso em outra ocorrência.

Na ocasião Cícero foi o único que se interessou em acionar o Estado na justiça, o que fez por meio do advogado Elvécio Andrade. A ação foi julgada procedente, o Estado recorreu e ao ser confirmada a sentença em segunda instância pelo TJES, o Estado decidiu não mais recorrer.

Agora na fase de cumprimento de sentença, Cícero aguarda o trâmite legal para receber a indenização a que tem direito por ter sido preso por um crime que não cometeu. Contudo, em virtude da tradicional demora da justiça brasileira, ainda terá que esperar muito pra botar a mão na grana.



Comentários

  1. Boa noite o filho desse senhor viu a pastagem e pediu para entrarem em contato com ele. 027 995082722 falar com André

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