sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ex-vereador Eduarte Prado: Um personagem histórico que merecia ser nome de rua

Rua Djalma Borges e, no destaque, "Seu" Duarte


Texto e fotoElvécio Andrade

A Rua Coronel Djalma Borges, no centro da cidade, com início na Avenida Prefeito Manoel Vilá e término na Rua Quirino Ramos, em Barra de São Francisco/ES, bem que poderia se chamar Vereador Eduarte Teixeira do Prado, em homenagem ao homem que deu muito de si pelo desenvolvimento da cidade.

Seu” Duarte, como era conhecido, foi um dos fundadores de Barra de São Francisco. Ele mudou-se de Cedrolândia, em Nova Venécia, para esta cidade no ano de 1951 para tentar a sorte. No território francisquense ele montou e expandiu seu comércio se transformando num próspero comerciante, e criou sua família.

Proprietário do Armazém Prado, Eduarte chegou a ter uma frota de caminhões. Muito querido pela população em virtude de sua educação, seu jeito extrovertido de tratar as pessoas e seu espírito solidário, sempre disposto a ajudar quem para esse fim o procurasse, acabou se envolvendo e se apaixonando pela política.

No início, quando foi procurado pelos representantes da Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido forte na época para analisar a possibilidade de concorrer a uma cadeira na Câmara Municipal, Eduarte relutou, mas acabou cedendo. Marinheiro de primeira viagem, foi eleito com facilidade, conforme era previsto.

Vereador por seis mandatos

Em virtude de sua dedicação aos interesses do Município, sempre atuando em defesa do povo que o elegera, Eduarte chegou a cumprir seis mandatos como vereador, numa época em que o cargo de vereador não tinha nenhuma remuneração. Ou seja, o político trabalhava para o povo por vocação, sem esperar pagamentos.

O cargo de vereador naquela época era concorrido apenas por pessoas que realmente se preocupavam com a comunidade, com o bem-estar do cidadão e com o desenvolvimento do Município. Dessa forma, por vários anos “Seu” Duarte e vários outros deram suas forças pelo Município, quando ninguém queria tal responsabilidade.

Com a mudança da legislação, que garantiu remuneração aos vereadores, pessoas abnegadas como Eduarte Prado foram deixadas de lado, dando espaço a aventureiros, que investiam grana em suas campanhas, com o objetivo único de receber pagamento no final do mês, sem qualquer interesse em ajudar a comunidade.

Com o advento da remuneração de vereador, Eduarte Prado e vários outros ex-vereadores, como Urbano José Teodoro, nunca mais foram eleitos. Não tinham condições de concorrer com o poderio econômico dos novos candidatos, que investiam pesado em suas campanhas, objetivando a vitória nas eleições.

Sua casa à disposição do povo

O fato de não mais conseguir se eleger não tirou de Eduarte o gosto de ajudar o próximo. Sua casa, que ainda está no mesmo local, em frente onde hoje funciona o Restaurante Salute, tinha suas portas abertas ao povo. Lá sempre tinha café feito na hora e o banheiro era franqueado principalmente às pessoas do interior.

Sua preocupação não se limitava aos seres humanos. Os animais também mereciam dele atenção especial, principalmente aqueles que ficavam amarrados em um lote vago diante de sua casa, enquanto seus donos resolviam problemas pessoais. Eduarte sempre levava água e comida, além de refrescá-los no sol escaldante de verão.

Barra de São Francisco tem ruas que homenageiam Raul Seixas, Ayrton Sena, dentre outros que nunca fizeram nada para a cidade, e até um general sanguinário, o Castelo Branco, é homenageado ao emprestar seu nome a uma importante avenida, menos o ex-vereador Eduarte Teixeira do Prado, que tanto fez pelo Município.


Bom seria se essa omissão fosse reavaliada e a rua hoje denominada Coronel Djalma Borges passasse a ter o seu nome, transferindo a homenagem ao coronel para a avenida que hoje ostenta o nome de um ditador sanguinário, que de forma alguma merece homenagens. Seria uma forma de se redimir de um erro lamentável.








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